domingo, 6 de dezembro de 2015

Inversão aos ventos da invenção


De ti construí a imagem mais bonita
Tela pintada a dedos
Bordado de ponto-cruz
Corte de veludo mais fino
Macramê

Mas foi-se o tempo,
veio a ventania
de longe,
tudo trazendo e levando

Trouxe água pra lavar minhas mãos
Ferida pra curar os dedos
Algodão cru pra apurar a realidade
Desfez-se os nós que se tinha de saudade

Desfigurando do teu arquétipo inventado,
esvaziou-se em mim em poesia
sem imagem
nem porta-retrato

E paraverseando o grande poeta itabirano

“Amiga,
afinal nos compreedemos.
Já não sofro, já não brilhas,
mas somos a mesma coisa.

(Uma coisa tão diversa
da que pensava que fôssemos.)”

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