
Sim ou Não? O talvez corre incerto aumentando a indecisão na madrugada sórdida banhada por um relógio que não para de triturar as horas.
A Fome e o medo. Neles o orgulho se completa. A incoerência e a inocência de algo predisposto e sem sentido. A madrugada é longa e o sol ao nascer parece quadrado.
A busca pelos chinelos não encontrados. A treva que entra pela janela vence a luz da lâmpada. As pernas não são suas, e o que se sente é o cheiro de um cadáver inerte em um necrotério.
Pus, gaze, algodão, petróleo. O lunático está em nós, é algo inevitável. E o balde enche cada vez mais de pus, gaze, algodão e petróleo.
O sangue espuma, o colorido rouco pouco quase canto é oprimido pelos pés ligeiros da menina que andava para trás a procura do recanto do diabo.
Fascismo por conveniência, a bandeira não balança, nem o sino da igreja é ouvido tocar, pondo um fim a um sonho comunista.
O olho nem olha, subjuga. E o outro olho olha, e pede.
- Não se preocupe meu querido, o preto será condenado! Não há dúvidas.
A criança apanha. Apanha pelo sangue que herdara. A mãe chora, chora remorso, mágoa, raiva, incompreensão. O pecado vem... Torto e com cheiro de vingança, mas só fica plano dos pensamentos.
Pobre diabo, criatura das cavernas, homem paleolítico.
- Cretino, Canalha, Patife. (O sorriso amargo no canto da boca)
SER. Ser. Ser preciso, superar é preciso. Planejar, planejar, ser grandioso, o meu nome nas vitrines. (COLERA!!!)
- O silêncio é um burburinho confuso.
Ópera de gritos surdos de Graciliano