Quanto de ti restou em mim
dos tempos vividos do que foi ontem?
Do teu riso de canto de
boca
Dos teus riscos coloridos
na pele
Do teu arredio jeito de
chegar
Da tua delicadeza latente
De teu marasmo de maré
Tua sedução de olhos
transparentes
a curva do nariz, talvez
as curvas do corpo
O jeito de levantar as
sobrancelhas quando digo algo curioso
O cheiro que sai dos poros
das têmporas
ou de trás das orelhas
O toque suave
A pegada precisa
As mãos indecisas
O compartilhar de instantes
com profundidade e leveza
As vezes pontuais
Outros prolongados
Em segredos, traços, gestos
Desapegando do que bem não
faz
Entendendo da vida os
processos naturais
Sabendo que nada me
pertence
Que o eterno é o instante
E que tudo tem um sentido
em nossas vidas
Aproveitando o melhor de ti
Espero que de mim tenha
ficado a melhor parte
E que em nós o amor se face,
desface e reface
em diversas formas
Em arte de rua
Em poesia de porta de
banheiro
em terra fértil em região
chuvosa
Que cresça arvore espessa e
traga sombra e descanso para o peso dos nossos dias
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