domingo, 21 de julho de 2019

Forró


No compasso da zabumba
O triângulo latejante
A sanfona se desenvolve
Num ressoar deslumbrante

Quem escuta essa tríade
não consegue ficar parado
Os pezinhos buliçoso
Mexe de traz pra frente
De lado a lado

Já observa o ambiente 
com bastante sutileza
Dois corpos se encontram
E se permitem a estreiteza

Cada coxa se encaixa
A cintura se enlaça
E a outra mão abraça
A mão da outra pessoa

Dá-se início ao bailado
Deslizando os pés no chão
Os corpos se comunicam
Ao que é dito na negociação 
A quentura aumenta
Com o contato e movimento
Ao passo que o suor banha
O coração que acelera os batimentos

É arrasta pé, é xote, é baião
É plena consciência
É estado de presença
É comunhão

A música desenha os corpos
Espaço e tempo desaparecem 
A escuta se manifesta
O transe acontece

E só desperta em um pequeno lapso
Em que o som se silencia 
e os corpos se distanciam

Mas reverbera
No corpo
Na mente
No espírito

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