com couraça pesada,
atrasado.
Noite de
tempestade
Era puro concreto
Luzes incandescentes
Buzinas intermináveis
Os olhos que tanto viam,
então cegaram.
Os pés ligeiros se enraizaram
Os sentidos outros inebriados,
com a chuva foram levados.
Lavando as ruas dos corridos passos,
da métrica dos compassos
dos ponteiros poluídos pela ilusão do tempo.
Então parado, cego e despossuído, pôde-se olhar pra dentro
e viu-se:
De olhos amplos soube olhar pra trás e nada trazer
e soube olhar pra frente sem nada querer.
Os olhos descansados de tantas visões não vistas,
abriu-se em meio ao caos de tantas construções
E a brisa era leve
O céu estava aberto
O sol brilhava na luz do fim de tarde
E pôde-se ver um pássaro pousado em uma árvore frondosa
entoando canto cuja ressonância ecoava em
“Tempo, tempo, tempo...”
(21 de outubro de 2015)

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