quarta-feira, 5 de maio de 2010

Abstração

Quantos poderiam ser acordados?
Quantos poderiam deixar de dormir?
Quantos levantariam e colocariam os dedos em seus chinelos, abririam suas portas e deixariam ser tomados pela multidão de sonâmbulos ressentidos
De zumbis assombrosos sem medo da morte, mas com medo da vida
De gatos noturnos, olhares atentos e sete vidas para serem tiradas;
Vidas mesquinhas, apagadas, sorteadas em uma bilheteria, cujo prêmio- a existência- nunca fora dado. Invés disso, uma consolação: o papel de figurante, do homem-sanduiche, da manequim, do revendedor de sapatos, do morto, do jogado nas calçadas.
- Um grito é pouco
- Um livro é pouco
- Uma idéia é quase nada
Uma ideologia nem sempre sustenta. Vira memória depois; memória dos tempos, dos lapsos, das lutas, do cárcere, do conformismo e depois uma autobiografia, quase um livro de auto-ajuda, uma receita de bolo. Cujo título se insere: “Um intelectual de merda”, e vai ficar jogado na estante da pós-modernidade fedendo mijo e mofo.

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