sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ode à Insônia


Sim ou Não? O talvez corre incerto aumentando a indecisão na madrugada sórdida banhada por um relógio que não para de triturar as horas.

A Fome e o medo. Neles o orgulho se completa. A incoerência e a inocência de algo predisposto e sem sentido. A madrugada é longa e o sol ao nascer parece quadrado.

A busca pelos chinelos não encontrados. A treva que entra pela janela vence a luz da lâmpada. As pernas não são suas, e o que se sente é o cheiro de um cadáver inerte em um necrotério.

Pus, gaze, algodão, petróleo. O lunático está em nós, é algo inevitável. E o balde enche cada vez mais de pus, gaze, algodão e petróleo.

O sangue espuma, o colorido rouco pouco quase canto é oprimido pelos pés ligeiros da menina que andava para trás a procura do recanto do diabo.

Fascismo por conveniência, a bandeira não balança, nem o sino da igreja é ouvido tocar, pondo um fim a um sonho comunista.

O olho nem olha, subjuga. E o outro olho olha, e pede.

- Não se preocupe meu querido, o preto será condenado! Não há dúvidas.

A criança apanha. Apanha pelo sangue que herdara. A mãe chora, chora remorso, mágoa, raiva, incompreensão. O pecado vem... Torto e com cheiro de vingança, mas só fica plano dos pensamentos.

Pobre diabo, criatura das cavernas, homem paleolítico.

- Cretino, Canalha, Patife. (O sorriso amargo no canto da boca)

SER. Ser. Ser preciso, superar é preciso. Planejar, planejar, ser grandioso, o meu nome nas vitrines. (COLERA!!!)

- O silêncio é um burburinho confuso.

Ópera de gritos surdos de Graciliano

Nenhum comentário:

Postar um comentário