Eu me alimento de uma tempestade em um copo d’agua
De um sol luminoso
em uma pequena fresta
que corre a porta,
na réstia do dia.
De uma imaginação infantil
Que se ri dos próprios devaneios,
mas que não hesita
em reconstruir paradeiros
da própria caminhada.
Sou tantas outras
peripécias,
meninices,
cicatrizes no joelho
Mas não deixo de brincar
Porque cair é preciso
para aprender a levantar
Correr de novo me encantar com tantas
outras coisas...
Tantas outras coisas
E dizer sim!
Que amor é vasto, tão nato
tão despontado de sentido,
tão despessoado e despossuído
Ruído, que vem dentro,
que ecoa em todas as formas,
mas que por desatenção
em certas maneiras...
Se decora
Se personaliza
Descaracteriza
E evapora
Mas tenho, sim, pensado na simplicidade das coisas
O amor é mais vasto que as prisões do ego
Tenho pensado que o amor
é um baba descalço domingo de manhã
São meninas e meninas
Todos se riem
Se riem
Brincam
Correm
Caem
Levantam
Se entendem
Se perdoam
Fantasiam
Tenho que dizer
que o amor tende a ser infantil
no sentido mais puro e nato
de ser.

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