terça-feira, 19 de setembro de 2017

Brincadeira


Eu me alimento de uma tempestade em um copo d’agua

De um sol luminoso
em uma pequena fresta
que corre a porta,
na réstia do dia.

De uma imaginação infantil

Que se ri dos próprios devaneios,
mas que não hesita
em reconstruir paradeiros
da própria caminhada.

Sou tantas outras
peripécias,
meninices,
cicatrizes no joelho

Mas não deixo de brincar
Porque cair é preciso
para aprender a levantar
Correr de novo  me encantar com tantas outras coisas...

Tantas outras coisas

E dizer sim!
Que amor é vasto, tão nato
tão despontado de sentido,
tão despessoado e despossuído

Ruído, que vem dentro,
que ecoa em todas as formas,
mas que por desatenção
em certas maneiras...

Se decora
Se personaliza
Descaracteriza
E evapora

Mas tenho, sim, pensado na simplicidade das coisas
O amor é mais vasto que as prisões do ego
Tenho pensado que o amor
é um baba descalço domingo de manhã

São meninas e meninas
Todos se riem
Se riem
Brincam
Correm
Caem
Levantam
Se entendem
Se perdoam
Fantasiam

Tenho que dizer
que o amor tende a ser infantil
no sentido mais puro e nato
de ser.

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