quarta-feira, 22 de junho de 2011

Nem lápide!

Hoje eu vi uma ambulância passar
Tinha um corpo morto deitado na maca
Eu não o vi, disseram que tinha.
Seu nome ninguém sabia, só diziam por sinais como aquilo que se cala por se ressentir.
E por sentir? Perda? Dor? Saudade?
Nada.
O silêncio come bruto, não há o que se fazer, são as coisas, elas dizem mais.
Mas todo mundo sai ver! Corre pra ver o buraco do tiro que atravessou a testa, do facão que cortou os punhos, da faca que atravessou o pescoço. Todos expressando com as impressões a validade dos fatos pra dizer do feito.
Da pressão imprecisa da impressa, dos jornalecos da esquina, ir lá espalhar o ocorrido, do que nem se espanta mais, do normal de todo dia, de mais um dado, estatística.
Hoje à noite talvez seu corpo seja velado, familiares ao redor a se lamentar, a se perguntar dos erros, a se queixar da vida feita.
E nem durmam de tão atordoados ou de tão amedrontados.
Vão seguir pela manhã carregando um fardo pesado até a cova, onde irão depositarão além de seus filhos a esperança de que um dia as coisas não sejam tão assim.
A volta pra seu tempo, seu espaço fechado, seu risco de vida.

Atentos, pois podem ser os próximos da lista, dos que vão ser dito: “mataram mais um ali na baixada”.
Quem é? O que fazia? Quem matou?
Essas respostas todo mundo sabe, só tem medo de dizer.

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