Ocorreu-me essa noite o cheiro de coisas estranhas. A luminosidade latente causou-me asco, e não foi pelo astigmatismo que me consome, mas pela necessidade do escuro, de fechar os olhos e não ver ninguém. Os vultos de pessoas passavam, as mulheres dançavam, e eu não conseguia nem se quer apreciar os movimentos dos seus corpos suculentos. Fiquei irritada, senti vontade de sentar, não pela dor nas pernas, mas pela preguiça de ficar em pé. Sentei, e por incrível que pareça não veio pensamento nenhum, nada. Nem as imagens figuravam, nem eu desfigurava coisa alguma. O som até que não me desagradava, mas percebi que o ambiente não me pertencia. Pouco me interessava saber quem era aquele homem que estava mais distante, debaixo daquela árvore e me olhando. Não lhe negava olhares também, mas olhava por assim dizer, como uma forma de distração e abstração, talvez. Fora do espaço, uma vontade louca de voltar pra casa. De súbito, sem mas nem porque desci a Getúlio Vargas correndo a caminho do terminal; sabia que não daria tempo de pegar o UEFS Sobradinho, mas senti uma vontade de correr, e o fiz como desculpa. Mesmo sentada, sem companhia, não conseguia imaginar muita coisa, só repetia frases que havia ouvido mais cedo, de alguém que sabe se lá o que, ou porque havia me dito “você não vai embora”. Achei autoritário, vazio, tanto quanto seus olhos. Corri por preguiça de me despedir, de dizer “tchau” ou “depois a gente se ver”; coisa do tipo, que tenta significar alguma coisa, mas por fim são só mais delongas. Ainda bem que o UEFS Maria Quitéria veio antes do que qualquer pensamento bobo brotasse na minha cabeça.
Aplausos aos meus grandes companheiros da noite: Marron, Branco e Sariguê
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