A Pior coisa pra se começar um dia é você ser acordado no meio de um sonho gostoso. É a miséria! Você sai da dimensão do sonho pra dar de cara com realidade desgraçada do dia, da obrigação de acordar cedo pra fazer alguma coisa que você TEM que fazer e não quer fazer. Hoje mais do que qualquer dia queria que fosse decretado feriado, feriado dos mendigos, dos doidos, sei lá, qualquer coisa; aliás seria melhor o feriado dos que não querem fazer nada, dos amantes do ócio, dos preguiçosos.
Levantei, lavei meu rosto (n tive coragem de tomar um banho), desci que nem um zumbi e tomei café, fui pra o terminal colocar crédito no cartão e a miserável da funcionária me diz “o sistema ta fora”, desgraçada, tive que pagar inteira pra ir pro Assis fazer a ultima observação, fingir que tava observando algo, fingir que tava escrevendo, quando na verdade estava tentando ler um texto de Capistrano pra fazer um trabalho pra entregar amanhã. A professora me fitando com aquela cara de “essa menina acha que vai conseguir mudar a cabeça dos alunos quando estiver dando aula, coitada, vai se decepcionar”, e os alunos que olhavam pra minha cara de sono e tentavam me assustar com uns olhares de donos do espaço.
Tento ler o texto, mas volta e meia percebo que não li nada, só passei o olho e achei que tava lendo... As letras viram números, os números equações quilométricas e depois um lobo querendo me devorar. Fico rezando pra qualquer entidade pra o tempo passar, a cadeira que antes eu achava tão confortável parece horrível para minha coluna e minhas pernas não param de se cruzar e mudar de posição. Fui ao banheiro umas três vezes e beber água umas seis só pra o tempo passar. Dá 10:20 e não agüento mais, vou ao outro lado da sala e minto para a professora dizendo que tenho aula 10:30 e que não posso faltar, ela com cara de aliviada diz: “pode ir minha filha”.
Volto, volto pra cama, meu cachorro de pelúcia, meu travesseiro...
Mas não consigo dormir, me vem alucinações, tormentos, me lembrando do trabalho de amanhã!!
Capistrano e Weber ficam rodando no meu juízo dançando com Ratzel e La Bache, todos se acabando de rir da minha cara. E a professora de Teoria me lembrando “Denise é sua ultima chance, só aceito os trabalhos até quinta-feira”.
Eu queria descer ao fundo do mar com Peixuxa e ficar lá pelo menos até meio dia. Minhas olheiras mostram meu sono, mas meus olhos nem conseguem fechar agoniados pelo dia. E o ponteiro do relógio da parede não pára de rodar me cuspindo na cara o cronológico. Pra completar minha angustia um saco de roupas sujas debaixo de minha cama começa a se mexer me lembrando que daqui a uns dias eu n vou ter mais roupa limpa pra vestir. Quando eu acho que ta tudo acabado, a memória desgraçada é recobrada: Não é que eu tenho um amigo secreto hoje! Não comprei nada, pior ainda, o presente tem que ser produzido, cadê a criatividade? Ta no esgoto junto com minha paciência. Não gosto de “amigo secreto”, principalmente quando você só é avisada que vai participar quando eles tão te entregando o papelzinho, pior ainda quando eles lembram de você e outra pessoa por ultimo, e te dão pra escolher: aí ou você pega você ou a outra pessoa, ou a outra pessoa pega você ou ela mesma. Como ninguém pode “se pegar” no amigo secreto então ela pegou meu nome e eu o nome dela, então não é mais secreto, é troca de presentes... Que chatisse isso.
Porra 12:30, tentar tomar um banho, resolver minhas equações, bolar um plano pra lavar as roupas e fazer um presente pra minha amiga (nada secreta), Capistrano e companhia ficam pra madrugado com muito café sem açúcar.
meus últimos minutos de sossego ouvindo Kozmic Blues...
Rotina do cão!
Cadê Peixuxa??
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